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O que é um Dogma?

Um dogma é uma doutrina na qual a Igreja propõe de maneira definitiva uma verdade revelada, de uma forma que obriga o povo cristão na sua totalidade. Esta é definição que se pode encontrar num dicionário de Teologia. Para quem não é muito especialista neste tipo de linguagem, impõe-se uma tradução e algum esclarecimento.

Para perceber a natureza de um dogma, é necessário esclarecer alguns pressupostos, para não criar confusões logo à partida. O primeiro é que um dogma se refere sempre à Revelação, isto é, é uma expressão definitiva que a Igreja, a dado momento da sua história, cristaliza numa afirmação que esclarece determinado aspecto da revelação de Deus à humanidade. O ponto máximo da revelação de Deus é Jesus e, a partir d’Ele, nada mais há a ser manifestado, da parte de Deus. Tal manifestação de Deus vem testemunhada na Escritura e na tradição da fé e do magistério da Igreja ao longo dos séculos. O que a Igreja tem necessidade de fazer é, a certo ponto, esclarecer algum aspecto dessa revelação.

O segundo aspecto é a questão da verdade do dogma. Em que sentido se pode entender que o dogma é uma verdade definitiva? Para isso, é essencial reflectir sobre o conceito de verdade, que tendemos a associar à verdade objectiva e científica, isto é: é verdadeiro o que se pode provar empiricamente, é verdadeiro aquilo que corresponde à nossa observação. A noção bíblica de verdade, da qual participa a natureza do dogma, é a verdade como emeth, isto é, apoio. O termo hebraico para verdade significa apoiar-se, ter segurança. Deus é verdadeiro e comunica verdade na medida em que n’Ele apoio a minha existência e a minha fé.

O teólogo jesuíta B. Lonergan tem esta expressão que nos ajuda a desmontar muitas ideias pré-concebidas em relação aos dogmas: “Um dogma tem uma data”, isto é, é uma formulação escrita numa determinada linguagem e contexto, numa altura em que era essencial para a Igreja esclarecer aquilo que está mais de acordo com a revelação, quando há divergência de opiniões. Os debates teológicos dos séc. IV, V e VI, que resultaram nos grandes concílios de Niceia, Constantinopla, Calcedónia, Éfeso, e outros, são momentos decisivos para fixar por escrito, por exemplo, as verdades que se referem à pessoa de Jesus: da mesma substância de Deus Pai, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, nascido da Virgem Maria, etc. No séc. XVI, por exemplo, a Igreja sentiu necessidade de fixar a verdade acerca da presença real de Jesus na Eucaristia, numa época em que o confronto com a reforma protestante punha isto em questão.

Por isso, um dogma não é uma realidade que surge do nada, mas é essencialmente um ponto de chegada de uma tradição de fé, muitas vezes de vários séculos que, a determinado momento passam a ser definitivos. Sendo escritos numa época determinada e condicionada pelas suas circunstâncias, o seu conteúdo permanece imutável, mas a sua formulação pode ser, e deve ser traduzida, explicada e aplicada às circusntãncias de cada tempo e de cada lugar. Um dogma não acrescenta nada à Revelação, mas explica-a de outra forma, confirma ou esclarece aquilo que está na Escritura ou que vem sendo vivido ao longo da experiência de fé da Igreja como um todo.

António Valério sj
in essejota.net

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O Credo: razões da nossa Fé

“Creio em um só Deus,
Pai todo-poderoso,
Criador do Céu e da terra,
de toda as coisas visíveis e invisíveis”

O “credo” é uma fórmula que pretende resumir o essencial da fé cristã. Quando nos benzemos, dizendo, “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” e, simultaneamente, fazemos em nós o sinal da cruz, estamos a utilizar um “mini-credo”, a afirmar os 2 mistérios mais essenciais da fé cristã, a trindade e a redenção.
Quando participamos num baptismo, antes do rito sacramental propriamente dito, o ministro do sacramento interroga o baptizando (se adulto) ou os seus representantes (pais e padrinhos); primeiro, se renunciam a Satanás, a todas as suas obras e a todas as suas seduções; imediatamente depois, também de forma interrogativa, se acredita no fundamental da fé cristã, em Deus Pai, em Deus Filho e em Deus Espírito Santo e na Igreja. É a chamada confissão da fé, a expressão pública da fé cristã.
Este mesmo credo interrogativo, prévio ao baptismo, explicando o seu sentido, foi-se desenvolvendo e acrescentando até chegar aos “credos” de hoje. Entre estes, há 2 que merecem especialmente ser referidos: o chamado “Símbolo dos Apóstolos” (que era o mais habitualmente usado até ao Conc. Vaticano II e que continua a poder ser utilizado) muito antigo e muito ligado à Igreja Católica de Roma e às Igrejas dela derivadas. E, finalmente, temos o credo habitualmente utilizado nas nossas celebrações das solenidades e domingos, chamado credo “Niceno-constantinopolitano”, pois foi elaborado a partir dos importantíssimos concílios da Niceia (325) – IV de Constantinopla (381). Mais moderno, longo e completo do que o Símbolo dos Apóstolos, este Credo tem o valor acrescentado de ser aceite e utilizado pelos 3 grandes ramos cristãos, as Igrejas Católica, Ortodoxa e Protestante. Paulo VI, em 1968, desenvolvendo e actualizando muitas das expressões tradicionais, propõs também um “novo” credo, o chamado “credo do Povo de Deus”.
Posto isto, entremos na análise dos termos do Credo niceno-constantinopolitano:

Creio – isto é, acredito, tenho fé. É a palavra-chave, a resposta do homem à revelação de Deus.
Acreditar, no sentido bíblico e cristão, não consiste apenas em ter por verdadeira alguma afirmação; envolve e supõe uma relação pessoal e única (daí que “creio” esteja no singular) daquele que acredita Àquele que se revela e em Quem se acredita e àquilo que Ele nos revela. A relação de fé é, assim, uma relação inter-pessoal de confiança, de acolhimento e de entrega.

em um só Deus – esta é uma afirmação fundamental, originada no AT, a recusa do politeísmo: não há vários deuses, bons ou maus, é a afirmação do monoteísmo: há um só e único Deus e Senhor, a que o judaísmo chama (entre outros nomes) Yavé e o Islão chama Alá.
Este primeiro artigo do credo cristão é, pois, partilhado pelo judaísmo e o Islão, as grandes “religiões do livro”, as grandes religiões monoteístas.

– Deus – este termo, no nosso mundo cultural, influenciado por 2 milénios de cristianismo, mesmo para os descrentes, parece-nos de significado óbvio, mas não é… basta lembrar os deuses egípcios, gregos e romanos, para perceber como o seu conteúdo teve de ser purificado…
Por Deus, no sentido do credo, entende-se aquela realidade que não é parte nem se confunde com o universo, superior a ele, que é Autor e Senhor do universo e do homem, transcendente ao próprio universo e de que este permanentemente depende. Não se trata de uma mera força ou energia cósmica, de natureza impessoal. Embora o termo não apareça na Sagrada Escritura, é uma realidade de carácter pessoal, isto é, um centro de liberdade e da relação que tem nome (Yavé) e que dá nome.

– Pai – ao dizermos que Deus é Pai, ultrapassamos os limites do monoteísmo judaico e muçulmano: se reconhecemos que há só Deus, esse mesmo e único Deus, em si-mesmo não é simplesmente Criador e Senhor do universo; é, também e “antes”, pai, o que implica que haja também um filho (pois o que caracteriza o pai, é gerar um filho). Numa fase posterior da compreensão da revelação de Deus acontecida em Jesus Cristo (o Filho eterno feito homem e revelador de Deus) a Comunidade crente foi compreendendo que Jesus Cristo, verdadeiramente homem, era também verdadeiro Deus e chamava Pai ao seu Deus: isto é, em Deus mesmo – há Pai e Filho e num momento seguinte foi também compreendido que o Espírito Santo, de que já se falava no Antigo Testamento, não era apenas uma presença especial de Deus nos profetas, nos reis ou no Povo de Israel, mas Ele mesmo pertence também à divindade de Deus, isto é, é também Deus, com o Pai e o Filho.

– Todo-Poderoso – precisamente por ser único, o poder de Deus não é limitado, não é partilhado com outros “deuses”, bons ou maus, como era crença comum. Todo-Poderoso ou Omnipotente, o Seus poder é total, não tem rivais nem conhece barreiras.

– Criador do Céu e da Terra – a palavra criador diz mais do que à primeira vista parece; criar é diferente de fabricar, modelar; na definição clássica, criar consiste na “produção da realidade a partir do nada dessa realidade ou de outra realidade pré-existente” que seja “transformada” pelo Criador.
Assim, a criação, reconhecida a Deus, é bem diferente quer do emanentismo em que a realidade produzida tem a mesma natureza do seu produtor, quer do panteísmo, onde Deus e o universo, criador e criatura, se identificam.
Os autores bíblicos têm tal consciência desta diferença essencial, que exprime a total transcendência de Deus face à Sua obra, que reservam para o acto de criar, um verbo exclusivo – bará.

– Céu e Terra – Para a cultura antiga, ao contrário da actual, o mundo não consistia apenas na “Terra”, no universo físico onde estamos integrados; com diferenças de conteúdo, de cultura para cultura, de religião para religião, na generalidade da cultura antiga, para além da Terra havia também o Céu, um outro “Mundo”, um outro conjunto de realidades, diferente e acima da “Terra”.

– Todas as coisas visíveis e invisíveis – Mas o mais importante destas afirmações é que, ao dizer que Deus é “criador do Céu e da Terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis”, isto significa que não há outros deuses no Céu, bons ou maus que o “maniqueísmo” – concepção da origem persa que defendia a existência de um “deus mau” em luta com o deus bom, não tem espaço: há um só Deus, Yavé, que é bom e, por isso, também todas as suas obras, visíveis e invisíveis, criadas por Ele, são boas. O mal é real, existe, mas para o reconhecer não é necessário aceitar nem a existência de deuses maus nem a existência de criaturas más. Também a matéria, o corpo, são criaturas de Deus e, portanto, são boas também. Do mesmo modo, os “Anjos”, isto é, as criaturas espirituais pessoais, criação de Deus, são também elas boas. O próprio diabo não passa de uma criatura de Deus (v. Gen 3,1) criado bom, portanto, mas que pelo abuso da sua liberdade se auto-perverteu. O optimismo radical de concepção judeo-cristã está patente no refrão que se segue a cada um dos dias da Criação no relato do Gen (Gen 1,1-31): “e Deus viu que era bom” e ao comentar a criação do homem, como homem e mulher, seres também corporais e sexuados, o todo da criação, o refrão muda: “E Deus viu que era muito bom” (Gen 1,31).

P. António Vaz Pinto

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A nona bem-aventurança

por
JOÃO CÉSAR DAS NEVES (in DN 2010.04.12)

Um dos fenómenos mais espantosos da história da humanidade é o ataque à Igreja. Esse processo, tão aceso estes dias, é sempre muito curioso.

Primeiro pela duração e persistência. Há 2000 anos que os discípulos de Cristo são perseguidos, como o próprio Jesus profetizou. E cada ataque, uma vez começado, permanece. A Igreja é a única instituição a que se assacam responsabilidades pelo acontecido há 100, 500 ou 1500 anos. Os cristãos actuais são criticados pela Inquisição do século XVII, missionação ultramarina desde o século XV, cruzadas dos séculos XI-XIII, até pela política do século V (no recente filme Ágora, de Alejandro Amenábar, 2009).

Depois, como notou G. K. Chesterton em 1908, o cristianismo foi atacado “por todos os lados e com todos os argumentos , por mais que esses argumentos se opusessem entre si” (Orthodoxy, c. VI). Vemos criticar a Igreja por ser tímida e sanguinária, pessimista e ingénua, laxista e fanática, ascética e luxuosa, contra o sexo e a favor da
procriação, etc. Mas o mais espantoso é que os ataques conseguem convencer-nos daquilo que é o oposto da evidência mais esmagadora.

Os iluministas provaram-nos que a religião cristã é a principal inimiga da ciência; supersticiosa, obscurantista, persecutória do estudo e investigação rigorosos. A evidência histórica mostra o inverso. A dívida intelectual da humanidade à Igreja é enorme. Devemos a multidões de monges copistas a preservação da sabedoria clássica.
Quase tudo o que sabemos da Antiguidade pagã veio dos mosteiros. Foi a Igreja que criou as primeiras universidades e o debate académico moderno. Eram cristãos devotos os grandes pioneiros da ciência, como Kepler, Pascal, Newton, Leibniz, Bayes, Euler, Cauchy, Mendel, Pasteur, etc. Até o caso de Galileu, sempre citado e distorcido, mostra o oposto do que dizem.

Depois, os jacobinos asseguraram-nos que a Igreja é culpada de terríveis perseguições religiosas, étnicas e sociais, destruição cultural de múltiplos povos, amiga de fogueiras e câmaras de tortura, chacinas, saques e genocídios. No entanto, a evidência de 2000 anos de história real de cristãos concretos é de caridade, mediação, pacifismo. Tudo o que o nosso tempo sabe de direitos humanos, diplomacia, cooperação e tolerância foi bebê-lo a autores cristãos.

A seguir, os marxistas vieram atacar a Igreja por ser contra os proletários e a favor dos ricos. Quando é evidente o cuidado permanente, multissecular e pluricultural dos cristãos pelos pobres e infelizes, e as maravilhas sociais da solidariedade católica no apoio aos desfavorecidos.

Vivemos hoje talvez o caso mais aberrante: a Igreja é condenada por… pedofilia. A queixa é de desregramento sexual, deboche, perversão. Mas a evidência histórica mostra que nenhuma outra entidade fez mais pelo equilíbrio da sexualidade e a moralização da vida pessoal da humanidade. Mais uma vez, o ataque nasce do oposto da verdade.

Serão as acusações contra a Igreja falsas? Elas partem sempre de um núcleo verdadeiro. Houve cristãos obscurantistas, persecutórios, cruéis, injustos, luxuosos, como hoje há padres pedófilos. Aliás, em 2000 anos de história, e agora com mais de mil milhões de fiéis, tem de haver de tudo. A distorção está na generalização ao todo de casos particulares aberrantes. Não sendo tão má quanto o mito, a Inquisição foi péssima. Mas a Inquisição não representa a Igreja e a própria Igreja da época a condenou. Os críticos nunca combatem os erros, sempre a instituição. Hoje não se ataca a pedofilia na Igreja, mas a Igreja pedófila.

A razão do paradoxo é clara. Cada época projecta na Igreja os seus próprios fantasmas. Ninguém atropelou mais o rigor científico que os iluministas. Ninguém foi mais sangrento que os jacobinos. Ninguém gerou maior pobreza que os marxistas. Ninguém tem mais desregramento sexual que o nosso tempo.

O ataque à Igreja é uma constante histórica. A História muda. A Igreja permanece. Porque ela é Cristo. Dela é a nona bem-aventurança: “Bem-aventurados sereis quando vos insultarem e perseguirem” (Mt 5, 11).

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Bento XVI em Portugal, Por Giovanni Maria Vian, diretor do “L’Osservatore Romano”
* * *Na história, o mal não terá a última palavra, apesar das dificuldades e da dor, injustiça, inclusive da morte. Sobrevoando o Mediterrâneo em Portugal, no encontro habitual com os jornalistas, o Papa deu a chave de leitura de sua nova viagem internacional dirigida a Fátima, o santuário mariano que se converteu em um dos lugares simbólicos mais fortes do catolicismo contemporâneo: é o otimismo, uma chave de leitura muito própria dele desde sempre, contrariamente do preconceito tenaz que há décadas acompanha a representação midiática de Joseph Ratzinger.

Bento XVI vê a história com olhos cristãos. Com um olhar positivo e sereno que não ignora os dramas e as tragédias da história, os abismos do mal que o século XX abriu de par em par, o limite e a culpa original do homem, o pecado dos próprios cristãos que mostram a necessidade contínua de renovação da Igreja (Ecclesia semper reformanda). Seu otimismo é, portanto, realista porque sabe que o mal ataca sempre, mas sabe também que as forças do bem estão presentes e o Senhor é mais forte que o mal. Assim, ele mostra a mensagem de Fátima, da qual o próprio cardeal Ratzinger, por encargo de João Paulo II, fez uma leitura profundamente enraizada na tradição cristã.

O mesmo olhar otimista leva o Papa a ler a crise, que agora parece se concentrar na Europa, como um exemplo claríssimo da necessidade de reabrir o pragmatismo da economia às razões da ética, segundo uma linha que recorre toda a encíclica Caritas in veritate e que suscitou interesse e consenso muito além dos ambientes católicos. E a última confirmação deste importante juízo compartilhado veio precisamente das palavras do presidente português, às quais Bento XVI respondeu lembrando que sua visita ao país aconteceria no centenário da proclamação da República e da distinção entre Igreja e Estado, ocasião de “um novo espaço de liberdade” para os católicos.

E também esteve marcada por otimismo a consideração do laicismo por parte do Papa. Um fenômeno antigo que agora foi radicalizado. Contudo – afirmou significantemente Bento XVI -, constitui ao mesmo tempo um desafio e uma possibilidade: de fato, ainda que com frequência tenha prevalecido a lógica do enfrentamento, nunca faltaram pessoas que procuraram construir pontes.

Essas pontes, segundo o Pontífice Romano, devem ser construídas para possível compreensão e entendimento entre o racionalismo europeu atual que tende a excluir o transcedente. Só assim as culturas ocidentais, pragmáticas e materialistas, poderão entrar em diálogo com outras culturas. Para o olhar otimista de Bento XVI, de fato, a presença do laicismo em si é normal, enquanto, em contrapartida, são anormais e negativas a contraposição e a exclusão de Deus do horizonte do homem.

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Bento XVI vai a Fátima mostrar como Deus age na história, um das lições centrais dos aparecimentos da Virgem Maria aos três pastorinhos portugueses, segundo anuncia o porta-voz da Santa Sé.

O Pe. Federico Lombardi SJ, diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, analisa as razões pelas quais o Papa visita Portugal, de 11 a 14 de maio, no 10º aniversário da beatificação de Jacinta e Francisco, no último editorial da publicação semanal Octava Dies do Centro de Televisão Vaticano.

“João Paulo II quis que o ‘terceiro segredo’ de Fátima fosse revelado na ocasião da beatificação dos dois pastorinhos, Francisco e Jacinta, durante o Jubileu do ano 2000, transição entre dois milênios. Estava se completando um século caracterizado por grandes sofrimentos, sobre os quais, exatamente, as visões de Fátima deram uma interpretação espiritual dramática e luminosa: tempo de guerra e de martírio, no qual a Igreja e mesmo o Papa compartilham profundamente os sofrimentos e a sede de salvação da humanidade inteira.”

“Para duas crianças inocentes, em um lugar insignificante – como é característico dos grandes eventos marianos -, era confiada uma mensagem que, em sua simplicidade, liberava uma força espiritual capaz de superar fronteiras e de ser transmitida além das graves circunstâncias da história da humanidade”, sublinha o porta-voz.

O Pe. Lombardi, em seu editorial, pergunta-se o que a mensagem de Fátima pode nos dizer, agora que foi revelado o segredo de fatos que se cumpriram.

Para responder, ele lembra o comentário do então cardeal Joseph Ratzinger na conclusão da publicação do texto do “segredo”, no qual dizia: “Ação de Deus, Senhor da história, e corresponsabilidade do homem, em sua dramática e fecunda liberdade, são os dois pilares sobre os nos quais a história da humanidade é construída. A Virgem aparecida em Fátima nos convida a voltar a estes valores esquecidos, para o futuro do homem em Deus, de quem somos parte ativa e responsável”.

“Precisamos de olhos límpidos e inocentes para ler o caminho do novo milênio e entender onde seus riscos e as suas mais verdadeiras esperanças estão. A mensagem de Fátima conserva toda a sua seriedade frente à história”, conclui o Pe. Lombardi.

A nossa oração, sobretudo quando nela nos ocupamos mais com alguma meditação ou contemplação, pode tornar-nos introspectivos e deixar-nos reféns das nossas ideias, sentimentos e pontos de vista. Ao confrontarmo-nos com Deus, procurando verbalizar diante d’Ele o que nos vai na alma, tomamo-l’O a Ele como o nosso referencial. Não sendo o colóquio uma novidade que Santo Inácio trouxe à oração (aliás, que melhor exemplo de colóquio do que a oração que o próprio Jesus nos ensinou?), o colóquio – uma conversa entre a pessoa que reza e Deus – marca toda a espiritualidade inaciana. Em muitos escritos de Santo Inácio surge a expressão “familiaridade com Deus”, sinónima, com certeza, de uma relação vivida na prática e alimentada por frequentes colóquios.

No livrinho dos Exercícios Espirituais, logo no primeiro exercício, Santo Inácio faz a proposta dos passos que, segundo a sua experiência, melhor nos ajudam a um encontro com Deus na nossa oração. O último destes passos é um colóquio ou conversa, cujo tema vai mudando de exercício para exercício, segundo a matéria proposta para cada tempo oração. Por exemplo, “ora pedindo alguma graça, ora confessando-se culpado por algum mal feito, ora comunicando as suas coisas e querendo conselho nelas”.

Assim como o tema do colóquio vai variando, o tom com que é feito pode variar também. Santo Inácio diz que se faça “falando, assim como um amigo fala a outro, ou um servo a seu senhor”. Este modo de oração, num frente a frente com Aquele que é o nosso Senhor e o nosso Deus, dirigindo-nos directamente a Ele, pode parecer uma ousadia se para nós Deus é uma divindade distante, porque habita no alto dos céus, e estranha à nossa realidade. Neste sentido, ao pôr em prática o colóquio, aproximamo-nos d’Ele e personalizamos a relação estabelecendo uma interacção Deus. E isto não é pormo-nos ao mesmo nível, pois o servo e o senhor podem ser amigos sem confundir aquilo que é próprio de cada um.
Por outro lado, nem sempre nos é fácil entrar nesta relação directa com Deus. As palavras faltam, o assunto parece despropositado para uma conversa com Ele, a resposta ao que dizemos parece ficar por dar… Mas mesmo quando isso nos acontece, o colóquio pode sempre ter lugar se tomarmos como nossas as palavras que Jesus nos ensinou. Conhecendo a paixão de Santo Inácio por Jesus Cristo e o seu desejo de O imitar em tudo, percebemos que não é por acaso que toma o Pai Nosso para terminar o colóquio em todas as orações dos Exercícios Espirituais.

Voltemos ao primeiro colóquio do livro. Depois das indicações mais práticas, a sugestão de Santo Inácio é fazer o colóquio “imaginando a Cristo nosso Senhor diante de mim e pregado na cruz, […] como de Criador veio a fazer-se homem, e de vida eterna a morte temporal, e assim a morrer por meus pecados”. Com Cristo assim nesta situação, diante de nós, o frente a frente de um colóquio não parece tão ousado quanto pareceria se tivéssemos diante de nós o Senhor Jesus sentado no seu trono glorioso, ou mesmo Deus Pai todo-poderoso. A imaginação faz parte da pedagogia inaciana para conhecer o Senhor: pela imaginação podemos aproximarmo-nos d’Ele e pelo colóquio podemos cultivar essa proximidade. Os Evangelhos são a melhor fonte para procurar e encontrar Jesus em situações concretas, de alguma forma próximas do que vivemos e, por isso, mais fáceis de imaginar. São, portanto, um óptimo ponto de partida para os nossos colóquios com Deus.

Exercício 2: Que melhor altura, nestes primeiros dias do mês de Abril que coincidem com o Tríduo Pascal, para ter presente diante de nós o Senhor crucificado? Experimentar pôr em prática a proposta de Santo Inácio – em colóquio, imaginando a Cristo nosso Senhor crucificado diante de mim, interrogar-me a mim mesmo: o que tenho feito por Cristo, o que faço por Cristo, o que devo fazer por Cristo.

Frederico Lemos

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Transcendência?

Na mão do Pai

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Uma das constantes do comportamento humano é a de superar e transcender sistematicamente o comportamento dos animais: o homem sobrepuja os animais no pensamento, na liberdade, no trabalho, na palavra, na diversão, na técnica e em tantas outras coisas. Aquilo que é, porém, mais singular, em todas as expressões do agir humano, é a presença de outro tipo de superação, de transcendência, que não está voltada mais para o exterior, para os outros seres vivos, mas isto sim, para o interior, para o próprio homem; este, em tudo o que faz, diz, pensa, deseja, demonstra sua constante tentativa em superar-se a si mesmo. Segundo as palavras de Mondin (1987), podemos afirmar que o Homem é essencialmente marcado pela autotranscendência.
E a verdade é que os filósofos hodiernos, muito mais que os dos séculos anteriores, vêem na autotranscendência o traço mais característico do ser humano considerando, pois, que se possa atingir a compreensão deste último apenas esclarecendo o sentido da autotranscendência.
Mas, neste ponto, ao tentar esclarecer este sentido, as opiniões divergem. Querendo esquematizá-las, podemos reduzi-las a três:
• Segundo alguns, a autotranscendência tem por objectivo o aperfeiçoamento do sujeito que se autotranscende (solução egocêntrica);
• segundo outros, o seu objectivo é o aperfeiçoamento da comunidade, da humanidade (solução filantrópica);
• conforme outros ainda, o seu objectivo primário é Deus: quem se autotranscende, separa-se de si mesmo para alcançar a Deus (solução teocêntrica).
De acordo com a leitura proposta por Alberoni (1999) para este facto, podemos confirmar a ideia há um único processo evolutivo que produziu a natureza animada e que se desenvolveu no decorrer de biliões de anos. E desde o seus primeiros instantes, foi sempre identificado com uma tendência para o alto, ruptura consigo próprio ou superação; e com o aparecimento do Homem e da consciência, este processo tornou-se cultural, ou seja: a evolução continua hoje como cultura ou como ciência.

 

por Horácio J. S. Lopes

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